Bohr foi um gigante intelectual do século XX, reunindo ao mesmo tempo as qualidades de um físico excepcional e um refinado filósofo da natureza. Esta segunda face de Bohr é em grande extensão reconhecida por aqueles que se debruçam mais amiúde sobre sua obra; no entanto, ela é mais profunda do que abrangente. Em linhas muito gerais, Bohr empreendeu um itinerário epistemológico dos mais refinados que se poderia conceber, sendo seu princípio de complementaridade o achado mais evidente. Longe de ser um subjetivista, como se poderia concluir um tanto açodadamente de sua proposta, ele percorreu um espinhoso caminho que buscava conciliar o que advertia ser a lição epistemológica da física atômica, para a qual a natureza nos aponta no que diz respeito às imensas dificuldades em se delinear uma ontologia quântica a partir dos experimentos, com o exitoso e necessário esquema conceitual da física clássica, cujos signos nos trazem a primazia do senso comum, e sem os quais não se poderia levar a efeito a imensa tarefa de compreensão da nova realidade que se apresentava. Como empreender essa tarefa foi um dos legados mais profundos que Bohr nos deixou. Nesta biografia escrita pelos professores Bassalo e Caruso, que pude ler com prazer e com es