Este livro nasce de uma urgência: entender como líderes autoritários em todo o mundo têm instrumentalizado a religião para mobilizar bases e corroer estruturas democráticas. A partir de um diálogo entre Michel Gherman, historiador e sociólogo judeu branco, e Ronilso Pacheco, teólogo e pastor evangélico negro, mediado pela jornalista Ana Luiza Albuquerque, os intelectuais analisam o avanço da chamada “pedagogia do ódio”, que ressignifica conceitos como liberdade e direitos humanos para favorecer interesses de uma elite financeira, religiosa e branca. Os autores exploram como a extrema direita construiu uma linguagem própria, baseada no medo e na oferta de um “passado ideal”, que poderia ser entendida com uma nova “gramática do ressentimento”. Nessa análise, Gherman introduz conceitos cruciais como o “antissemitismo filossemita”, um uso estratégico de símbolos de Israel que serve para legitimar agendas racistas e excluir judeus progressistas. Já Pacheco detalha a “política da opacidade”, uma tática que empurra grupos minorizados para as margens do debate público, neutralizando sua existência política, a partir dos dogmas das religiões cristãs neopentecostais. Para além do diagnóstico da ação da extrema direita que se espalha pelo mu