EFACIAR um livro de memórias, de vida social e vivências acadêmicas, por um professor que chegou nesta carreira por vias alquímicas não me pareceu uma tarefa fácil. Foi um desafio retroceder ao dia que cheguei em meus pais e disse “infelizmente não serei mais um farmacêutico bioquímico..., mas serei um professor de química”. Me recordo do olhar incrédulo do meu pai e do olhar vazio da minha mãe, afinal, eu estava caminhando para o último período do curso de Farmácia e a esperança de um filho “doutor” havia decantado. Era um sonho de infância trabalhar em um laboratório de análises clínicas, pois sempre fui fascinado pelos elementos celulares sanguíneos. Como pode existir entes tão simples (ironia) desempenharem funções de defesa, coagulação e transporte de gases? O gosto pelo universo sanguíneo veio de uma sessão cinema que tive na escola, ainda no ensino fundamental. A professora de Ciências passou o filme “Viagem Insólita” (Joe Dante, 1987), cujo enredo se baseia na miniaturização de um submarino que, acidentalmente, é injetado num corpo humano. Nesta viagem, dentro do corpo humano, o personagem principal, pi loto do submarino, é levado por todo o corpo humano por meio das artérias e veias. Foi fascinante. Foi incrível! Era isso