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Terêncio é uma das vozes mais injustiçadas da literatura antiga. De trajetória meteórica, morre jovem com seis comédias de sucesso variável no palco romano do século II a.C. Viveu à sombra do espalhafatoso Plauto, provável vida passada de Molière e Charles Chaplin. Morreu possivelmente amargurado com o esgotamento da comédia de roupa grega no palco romano. Morreu junto com a comédia. O gosto popular mudava e ia preferir a pantomima e outros tipos de burlescaria. Mas Terêncio resistiu e produziu comédias que levaram seu nome a figurar como autor mais importante depois de Virgílio para os romanos de depois. Nem sempre a gente ganha a fama que merece enquanto vivo, e o Terêncio que se publica aqui é uma prova rediviva. O Eunuco é sua peça mais ágil, divertida, escandalosa, e, para nós hoje, no mínimo polêmica pelo seu tratamento do estupro da virgem Pânfila. Seu timing cômico está mais que afiado, e a tradução de Matheus de Souza pra nos trazer um Terêncio para hoje, poesia antiga para o palco tornada poesia brasileira, com a dicção que esse ex-escravo cartaginês merece. Se esperamos desde o século XVIII para voltarmos a ter traduções poéticas de Terêncio em português, eu me sinto mais que bem acompanhado por essa tradução esp